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terça-feira, 16 de julho de 2013

Cap. XI - Férias?!




Ilusão: Engano dos sentidos ou do espírito que faz tomar a aparência pela realidade: a miragem é uma ilusão da vista. Interpretação errônea de um fato. (Dicionário Informal)

Em minha concepção, o sinônimo de ilusão significa Férias. Humpf. Férias: Interpretação errônea de um fato. Concordo em gênero, número e grau, sem pestanejar.
Tecnicamente meu período de descanso começou em 01/07. Durante os seis primeiros semestres da faculdade acreditei que as férias eram algo divino, algo que vinha ao meu encontro para me libertar do estresse das tutorias inacabáveis. E como eu fui feliz nesses primeiros semestres! Dias repletos de gordura trans, cultura pop e video games. Sem contar, é claro, com as horas repostas de sono! Ah, não existe nada melhor do que dormir até cicatrizar o olho!
Aparentemente, julho/2013 deveria seguir o mesmo molde dos anos anteriores, já que serão as ultimas férias da graduação. Só que não.
Há 5 meses de tomar decisões que podem/vão mudar todo o curso da minha vida, como posso ficar em casa, me preocupando com o tempo que vou levar pra terminar todas as fases do Amateur Surgeon
Sendo assim, tomei uma decisão: não vou entrar em ritmo de férias. Primeiro, porque tenho que estudar - e muito - pra concluir alguns objetivos pessoais; Segundo, porque pra conseguir o primeiro, não posso descuidar e perder o ritmo. Ainda mais sabendo que vou pra uma UBZzzZzZzzzZS no segundo semestre (que já eleva minhas chances em uns 80% de não abrir um Brunner).
Pra que meu plano fosse possível, entrei em contato com minha supervisora de estágio eletivo , para aceitar o convite de passar uma temporada extra no Centro Cirúrgico do HE - coisa que fiz sem pestanejar, pois se ela não tivesse me convidado, eu tinha me oferecido (acredito que não registrei no blog, mas o pensamento positivo deu certo, acabei indo para o Centro Cirúrgico do mesmo Hospital Escola em que estava e lá fui completamente feliz durante 5 semanas intensas entre FAFs, FABs, Craniotomias e uma imensa quantidade de Bypass (fiquei em dúvida sobre o plural de Bypass...seria Bypasses? Enfim...) - sem contar nos interesses políticos-pessoais por trás desta temporada, que é obvio, não cabe a mim abrir as estratégias no blog).
Na minha humilde perspectiva de estagiotária, continuar as atividades do estágio voluntário me obrigariam a manter meu relógio biológico tinindo, me fazendo despertar as 6h ao invés de 12h - como é de praxe acontecer durante as férias - o que me leva a aproveitar melhor meu dia, tendo tempo pra estudar a tarde, e se precisar ainda consigo ir a biblioteca da faculdade e aproveitar a imensidão de livros que estão disponíveis (já que os outros estudantes estão de "férias"), além é claro, de aumentar minha rede de network.
Logo na primeira semana em que ia colocar meu plano maestral em prática, fui surpreendida com TCC-ARGH! Mais atrasado que noiva em dia de casamento, é verdade, não nego. Tirei a semana pra resolver isso, e é claro, ainda não terminei o que me dispus a fazer, mas de qualquer forma, isso é um capitulo a parte, pra outras postagens.
Na segunda semana, feriado aqui em SP. Admito que aproveitei os 4 dias em Londrina, me permiti curtir um pouco, mas é claro, com o Expert debaixo do braço e com um lápis nº2 pra responder as questões polêmicas. Ótimo exercicío pras 6hrs que passei dentro do carro pra chegar em Londrina e voltar pra Sorocaba.
Chegando de viagem, tive a comprovação da minha teoria. Férias são uma ilusão. Ilusão pra nós, pobres acadêmicos. Recebi um e-mail quilométrico sobre meu projeto de pesquisa. Resumindo, o que não fiz em meses, tive que fazer em  UM dia. Mais uma semana e meu plano de boicotar as ferias foi boicotado porque eu não tive tempo pra pensar em férias. 
Mas firme, forte e decidida, hoje acordei cedo, criei coragem e fui pro CC.

Foi um pouco difícil retomar o ritual matinal, mas consegui. A sensação de poder chegar um pouco mais tarde no setor sem punições é LIBERTADORA. Por isso, cheguei quase 30 min. mais tarde do que costumava.
Passei uma manhã feliz. Ah! Como aquele setor frio me faz feliz! - e nem precisei de café hoje. Pra ser sincera, fiz questão de desviar das máquinas de cafeína. Já estou mais ansiosa do que sou. E sou muito ansiosa, praticamente uma variação de TDAH não descoberto.
Segundo a sabedoria japonesa, baseado na minha tipagem sanguínea, sou uma bola de nervos, apesar da aparência calma, sou perfeccionista e sempre estabeleço altos padrões a serem alcançados. E ainda tem mais. Os ancestrais da terra do sol nascente ainda tem uma outra classificação pra minha tipagem sanguínea, que é a A+: São os indivíduos sensíveis (onde?), inteligentes e espertos que gostam AMAM do estilo de vida urbano e intenso. Ficam refreando a ansiedade o tempo todo, mas quando explodem, provavelmente algo de ruim já se instalou dentro deles. Precisam de exercícios calmantes e relaxantes, pois quando o stress se instala eles ficam paranóicos e depressivos (WTF?) e tudo caminha pro terreno pessoal, fazendo que eles extrapolem as suas funções.
Como meu fator é +, será que todas as emoções são elevadas? Bem não quero descobrir. Sou bem cética pra essas coisas, mas tenho que concordar com os orientais que eu não sou a pessoa mais controlada do universo e os últimos meses tenho aumentando minha taxa de cortisol. Amo café, amo o aroma, gosto e sua capacidade de me deixar no 220, mas vou tentar limpar as taxas de cafeina do meu sistema, pois senão vou ter um curto circuito.
A transição de Zoey pra Nurse Jackie é dura. Posso até estar sendo precipitada em abolir essas férias de julho, pois são as últimas. Mas, acredito que aproveitar meu tempo agora, sendo rata de hospital é a melhor forma de aproveitar minhas férias. Pode até ser cansativo mais pra frente, mas minha consciência vai estar limpa e livre de arrependimentos, afinal, conhecimento nunca é demais. E também, quem sabe isso não me abre um leque de oportunidades? Até eu descobrir isso, vou continuar evitando cafeína, porque né... vai que os kamikazes acertaram?!



quarta-feira, 10 de julho de 2013

Cap. X - Choque de Realidade



Ansiedade. Epinefrina e Noraepnefrina sendo secretadas. Por trás do brilho no olhar, pupilas dilatadas. Frequência cardíaca, força de contração do coração e pressão arterial aumentadas, além dos vasos sanguíneos dilatados de tal forma que a cada bulha é possível sentir todo o trajeto do sangue sendo ejetado para a aorta e percorrendo todas as artérias, arteríolas, capilares, vênulas, veias, até finalmente fluir para o tronco pulmonar. Respiração intensa, taquipnéia. Alto nível de glicose no sangue. Sudorese de extremidades. Pensamento acelerado. Aceleradissimo.
Após horas e horas dentro de um carro numa viagem inter estadual, pude sentir cada uma das caracteristicas parassimpáticas, e na medida em que me aproximavaao meu (tão) esperado destino, minhas emoções pareciam ampliadas. 
Triplicadas talvez.



Lembro de ter sentido a mesma coisa na primeira vez em que pisei no Campus da PUC. Era tudo tão envolvente que instantaneamente me apaixonei por cada metro quadrado da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde. A ideia de estudar naquele lugar era fascinante!
E suprindo esse sentimento, fiquei por meses aguardando a chance de prestar vestibular e mais ansiosa ainda pelo resultado. Afinal de contas, era a realização de um sonho - não só meu, mas dos meus pais também.
Logo numa da tutorias no primeiro ano do curso de enfermagem, uma das atividades propostas, ou melhor, um OBJETIVO de aprendizagem, foi pesquisar sobre o leque de oportunidades que temos na enfermagem após a graduação.
Em especial, uma oportunidade me chamou atenção. A possibilidade de ingressar em um programa de residência. Mesmo não sendo o caminho mais fácil, não me importei. Meus olhos brilharam e comecei a ter devaneios sobre esta possibilidade.
Naquele mesmo momento tracei um plano - master - de ação: Me formando, vou atrás do meu lugar ao foco de luz (nem que esse foco de luz seja no Acre!).
Com o passar dos anos e avançar da graduação fui afinando meu leque de possibilidades ( de cara descartei obstetrícia, pediatria e coisas do tipo) e após estágios e mais estágios cheguei a conclusão que meu lugar é centro cirúrgico/clínica cirurgia, pra ser mais precisa, meu foco de luz está totalmente voltado pra enfermagem perioperatória.
Enfim, retomando meu ponto de partida, de todas as instituições que eu já pesquisei e conheci, nenhuma me chamou tanta atenção quanto a Estadual de Londrina.
Pra ser exata, minha paixonite pela UEL aumentou (muito) no ultimo ano de faculdade e a cada dia que passa minha ansiedade pra participar do processo seletivo aumenta. 
Pois é. Só 4 vagas no programa de Enfermagem Perioperatória. Se Deus quiser, uma é minha.
Na última segunda-feira fui pra Londrina, afim de conhecer a UEL. Revivi cada sentimento da primeira vez que pisei na PUC. 
No fundo pensei comigo: Agora falta pouco. Muito pouco. Pouquissímo.
Daqui a 5 meses me formo. Daqui a 5 meses 4 anos de esforço se transformaram num número mágico (e bem carinho) que vai me possibilitar exercer minha profissão. Daqui a 5 meses, deixo de ser estudante e passo a ser ENFERMEIRA
E como enfermeira, é meu dever prestar a melhor assistência possível pra quem precisa. Isso - é claro - necessita de aprimoramento. Aprimoramento que eu almejo alcançar a quase 600 km da minha casa, da minha família, das pessoas que eu amo. 
São só 2 anos. 2 anos que eu acredito que vão mudar minha vida, pra que eu mude a vida de muitas outras pessoas.
Nem tudo sai como planejamos, e as vezes por caminhos mais tortos do que veias varicosas nós acabamos seguindo outro caminho. 
De qualquer forma, a descarga de adrenalina tem me servido bem nos últimos meses - e mais ainda nos últimos dias.
Me apaixonei por Londrina. Mas sei que pela frente ainda tem muito chão. Não me importa pra onde a safena varicosa da vida me leve, não vou desistir de ser uma enfermeira melhor.  



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Cap. VII - Abandonada

Depois de altas emoções (comentadas aqui) com o final do estágio supervisionado, finalmente, chega o estágio eletivo. Então, com a cara e com a coragem, você vai até o setor se apresentar e... ninguém.
Exatamente. Esqueceram que tinha uma estágiotária pra começar suas atividades hoje.


Imediatamente pensei em correr pro meu antigo setor, meu PS, minha montanha-russa onde picos de amor e ódio se intercalavam. Fiz isso? NÃO! Simplismente porque estágiario não tem "day-off".
Não é porque esqueceram da estágiotária que a mesma não vai ter nada pra fazer. Como vocês estão cansados de saber e como eu repito isso diariamente como um mantra, só faltam 7 MESES para formatura.
Consequentemente, só me formo se entregar meu trabalho de conclusão de curso, o famoso e maldito TCC.
Por ironia do destino (ironia nada!), no ano passado (quando a via sacra começou), fui orientada a realizar minhas pesquisas no outro Hospital Escola (que é 100% da faculdade, portanto tem uma dinâmica de trabalho muito diferente da que eu vivenciei no PS do Hospital Escola Público, que mantém convênio com minha faculdade).
Resultado: não basta perder a viagem e 5 horas de estágio (*lágrimas), tem que deslocar o corpinho e ir pra outro hospital.
Como tenho noção de que meu TCC não vai brotar do subsolo e muito menos aparecer pronto, como uma irrigação obstruída nos últimos 5 min. de estágio,  dei uma boa respirada e peguei meu caminho da roça.
Com uma pilha de papéis embaixo do braço e cara de tacho, fui eu apertar a campainha do CME do HEscola.
Ao ser atendida (diga-se de passagem muito bem, comparando com várias saias-justas que estágiotários relatam), entrei por uma porta estreita para ter acesso a CME.
Recebi um privativo na mão literalmente (!), coisa rara de acontecer já que em setores fechados sempre falta o privativo. E a melhor parte nem foi receber de mão beijada a roupinha verde desbotada, mas sim descobrir que o privativo P serve em mim! ♥
Podem falar o que quiser, eu acho um charme usar privativo, ainda mais quando ele cai como uma luva em você. Prefiro andar de verde do que enfrentar o branco nada profissional todo dia.
Continuando minha saga, depois de morfar, fui pro que realmente interessava: A coleta de dados para o TCC, que já está pela hora da morte, uma vez que já tentei deixar pra depois de todas as formas possíveis e imagináveis.
Não demorou muito pra descobrir que meu questionário tinha um erro que surgiu das profundezas, o que me fez anular uma questão.
Anyway, independente de erros, meu foco eram os funcionários (eram não, são). Ao realizar as entrevistas, fiquei um pouco desapontada. Vou ser franca, esperava um pouco mais de discórdia. Vai ver porque no lugar onde eu estava isso era "comum". Comum VÍRGULA. Não era pra ser, mas não vamos nos meter no expurgo alheio.
Vi que meu trabalho de meses foi resumido em menos de 5 minutos, pois todos os funcionários tinham todas as respostas na ponta da língua. Fiquei impressionada pois, mesmo realizando entrevistas individuais, as respostas eram as mesmas, sem tirar nem por nenhum Bowie Dick.
Depois de aproximadamente 1hr, agradeci e sai do setor. Foi difícil me desfazer daquele privativo ♥. Mas eu superei. Afinal, se eu pretendo ter um privativo ala Addison Montgomery, preciso me formar certo?






quarta-feira, 15 de maio de 2013

O Prólogo


Mais uma manhã se inicia. 6h40. Luto pra abrir os olhos e sair da cama. Em outros carnavais, neste horário já estaria do outro lado da cidade, entrando numa sala fria de tutoria. E eu devia mesmo estar do outro lado da cidade, me preparando pra pegar no batente, ou melhor, pra pegar o plantão. Penso nos pés de galinha adquiridos durante esses 4 anos e chego a conclusão que é muito cedo pra me estressar. É bem melhor já preparar meu psicológico pro que vem. 
Atrasada, em tempo recorde junto minhas tralhas, pego meu jaleco amassado, dou um trato bem meia boca no cabelo e tento esconder a falta de coragem com um pouco de blush perolado.
7h00. Saindo de casa ofegante, me esforço pra alcançar o ônibus e quem sabe eu ainda consiga fazer o trajeto casa-faculdade em 20 min. FAIL. Talvez de carro eu conseguisse, mas como boa estagiotária que sou, ando de ônibus e, venhamos e convenhamos, nessa cidade em horário de pico, nada é rápido. E falando em horário de pico, vejo 4 ônibus passarem por mim reto, como se eu fosse enfeite do ponto ou invisível.
Finalmente, um ônibus pára. Respiro fundo e tento garantir meu pedaço na lata de sardinha. Sigo assim até o terminal, onde troco 6 por meia dúzia: abandono a lata e corro pra ambulância (o ônibus que vai pra faculdade-hospital escola, carinhosamente apelidado de ambulância, vide a população que o frequenta: pacientes do HEscola, idosos, enfermos e estagiotários). Ainda em pé, continuo minha jornada.
Chego a faculdade as 7h40. Droga. O trajeto que na minha cabeça planejei realizar em 20 min., fiz em 40 min. Mais um dia atrasada. Ainda é muito cedo pra se estressar, então, cabeça erguida, vamos para o campo de batalha (mas antes, um pouco de cafeína).
Entre um cafézinho e outro, 8h00. Chego no setor como se nada tivesse acontecido. Uma cara de paisagem, um sorriso de Kate Middleton (como se eu fosse uma lady, descabelada, amassada e que anda de ônibus).
Começando a arregaçar as mangas, vou então cumprir minhas atividades de quartoanista. O que temos pra hoje? Visita na clínica e históricos a preencher. Pff. Fichinha, já que desde o começo do ano é minha rotina.
De cara, me desvio dos meus afazeres. Encontrei uma irrigação vesical obstruída. Como quase enfermeira, preparo a munição: de um lado, minha seringa (rara no setor) 60 ml e do outro meu frasco de SF 0,9% de 1000 ml. Assim, começo minha saga contra os coágulos - que na minha cabeça é algo do tipo “O império contra-ataca: a ameaça dos coagulos”.
Perdi a guerra. Minhas injeções de soro não foram páreas para le coagulo monstro. E ainda por cima sai pior do que quando entrei no quarto. Muito mais descabelada e dessa vez, acredito que nem o blush corava mais nada.
Como se não bastasse, dei de cara um um residenteotário
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Pra você, ledo leitor, residenteótario é uma raça distante dos estágiotários. Enquanto os estágiotários estão descabelados, amassados e acabados, como se tivessem saído de um episódio de The Walking Dead, os residenteotários são totalmente o contrário: Estão sempre arrumados, são lindos de morrer, esbanjam ryqueza, só que na hora de abrir a boca falta educação; Sem contar, que na cadeia alimentar do Hospital escola, eles são como os estágiotários, só que a nível de Hipócrates, nada de especial.
Voltando pra minha vivência, dei de cara um um dos residenteotários, que não esboçou palavra alguma, mas também, a cara de espanto dele ao me ver já falava mais do que o Galvão Bueno narrando a Fórmula 1. Fiquei na dúvida se a cara de espanto foi pelo meu estado ou se foi pelo escândalo que o paciente fez pela obstrução (sei que a dor do outro não se meça, mas pohan… homem é MUITO fraco!).
Sai a francesa e caminhei para o posto, onde foquei em terminar minhas atividades. Não sei se é meu desgaste ou ansiedade, só sei que não via a hora de terminar tudo (talvez porque 1) eu estava jogada as traças, pois minhas parceiras voltaram para a UBS, 2) porque eu estava cansada, já que falta 1 semana pra terminar esse estágio OU 3) o posto estava lotado de estágiotários de uma escola técnica). 
Diante ao desanimo, resolvi fazer um break. Zarpei pra UTIPed. Contactuei um pouco e voltei (apesar de acolhedor, não posso ficar em setores com crianças mimimi. Essa é minha kryptonita). 
Finalizei meu expediente e parti pra 2ª parte (porque 12hs é fichinha).
O que seria da vida dos estágiotários sem outros estágiotários pra partilhar as depressões? =D Por isso me encontrei com mais duas pra almoçar! E então pude me livar um pouco do peso das minhas olheiras  .
Entre constatações de fatos, planos mirabolantes, espiadas compridas na mesa ao lado e muita coca-cola, chegamos as 13h.
13h… Correndo pro 2º plantão. Mais light, of course, já que era atividade extracurricular, mas nem por isso menos importante.
Após decidir com minha dupla sobre qual cirurgia assistir, optamos por uma de varizes (pois meu DNA grita, e como eu vou ter que fazer uma safenectomia daqui a alguns anos, melhor já me inteirar sobre como vai ser feito). 
Adentrando a sala, dou de cara com le residenteotário (sim! o mesmo que eu encontrei descabelada logo de manhã). Nessa altura do campeonato, nem me sinto no direito de querer enfiar minha cabeça debaixo da terra (e também, de privativo, com todos os EPIs possíveis e imagináveis, nem precisava de esforço pra sumir).
Permaneci eu, firme e forte, durante 3 hrs assistindo a cirurgia, ao lado do R.Otário, que provavelvente nem me reconheceu e muito menos vai lembrar que eu existo amanhã.
Jardinagem a parte, deixando os vasos de lado, no termino do procedimento, eu e minha dupla aguardamos a uma cirurgia ortopédica.
Como gosto de CC, dificilmente me impressiono com o que vejo. Hoje, me impressionei. Nunca tinha visto tão de perto a colocação de um fixador. Tenho que admitir que tive alguns calafrios e ideias de assassinato em massa.
Tudo era como uma mistura de Jogos Mortais com 50 Tons de Cinza (se isso é humanamente possível).
Ideias esdrúxulas a parte, terminei mais um plantão.
E lá se vai a estágiotária, feliz da vida porque apesar de tudo, aprendeu muito. 
E daqui a pouco, um novo dia vem e tudo começa de novo.