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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Cap. VI - Grand Finale

Após 4 meses de incessante trabalho, picos de adrenalina e casos extraordinários, consegui finalizar meu estágio curricular em ambiente hospitalar.
Como estágiotária sobrevivente a um PS de blaster complexidade, prestes a se formar, devo admitir que hoje meu coração apertou um pouco.
Apesar dos trancos e barrancos, altos e baixos, picos de adrenalina e picos de ACH, posso dizer que vou sentir falta dos casos esdrúxulos, das montanhas de papel e até das UFC modalidade hospital.
Como tentativa de demonstrar um pouco de gratidão, LET'S GET THE PARTY STARTED!



Ala Zoey Barkow, organizei uma "festchinha" pros funcionários e afins, já que estes foram essenciais pra minha formação (além do mais, eles mereciam pois, aguentar um estagiotário mais perdido do que cego em tiroteio necessesita de MUITA paciência).
Achava que não, mas a verdade é que minha sistole foi um pouco mais demorada nessa despedida e fato é que se pudesse ficaria eternamente lá.
Como não dá, tentei aproveitar meu ultimo dia ao máximo, começando por deixar de lado a roupa branca \o/.
Coloquei uma roupa apresentavel (com nada branco ou que lembrasse banco), peguei a massa corrida que chamam de maquiagem e até tive animo pra arrumar a juba.


Bem, sou da teoria de que no primeiro dia de qualquer coisa você deve estar bem arrumado pra causar boa impressão... e no último também, pra tirar a impressão de que você é só mais um ponto branco no hospital. 
Despedidas são recomeços.  Por isso nada mais justo que se despedir em grande estilo.
Dessa parte do meu dia, tenho que compartilhar uma depressão/realização (quem sabe dica pra acabar com a maldição da Florence?): Fora do branco profissional, as pessoas ficavam me encarando. Não foi uma ou duas vezes. Foram várias. Tanto é que até elogio da supervisora eu ganhei (f-u-j-a-m pras colinas!). Ganhei alguns "bom dia" super atenciosos e até tive o prazer de jogar o cabelo de lado, levantar o nariz e caminhar livre, leve e solta pelos corredores.
Glitter e purpurina a parte, continuei o que me propus a fazer: a festa.
O prazer de entrar no posto e saber que você não tem obrigação de preencher indicador nenhum, não tem preço.
O prazer de entrar no posto e saber que você, estagiotário, é o Top Trending do dia, então nem se fala.
Depois de algum tempo conversando com os funcionários, recebendo os estagiotários amigos e fazer uma sala de prescrição inteira parar (porque estágiotário quando quer, é puro poder), dei adeus ao primeiro andar.


Adeus não. Até logo pois pretendo trabalhar neste Hospital Escola e, se trabalhar, pretendo voltar pro lugar em que comecei minha vida de enfermeira.
E assim, com um pouco mais de experiência e um óculos quebrado (não pergunte como), sigo em frente, pois daqui a 7 meses o boleto do COREN chega em casa!


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Cap. V - Meu nome é Segunda-feira

Depois do final de semana, da ressaca e da  dor de cabeça, uma nova semana se inicia e com ela além do trabalho acumulado do final de semana (porque né amigo(a), se você trabalha de final de semana, sinto lhe informar que não é estágiotário, e sim um escravo), de brinde aparecem no facebook as imagens de "odeio segunda" com um Garfield ou algo do tipo pulando do seu monitor.
E essa segunda começou diferente, pelo menos pra mim. 
Além de exercitar o segredo (e o pensamento positivo), fui despertada por um toque de levantar. LITERALMENTE. Digamos assim, que meu bairro foi "pacificado" (Só que NUNCA) pois a uns 50m da minha casa uma base do Exercito foi montada pra uma espécie de treinamento, caso aconteça algo catastrófico na Copa das Confederações (como se já não  fosse catastrófica a ideia de trazer esse evento pro Brasil e gastar milhões pra isso quando uma bolsa do Cnpq continua R$360,00. PÔ DILMA!).
Enfim, fora esse fato pitoresco, que me fez acordar bem mais cedo do que eu planejava, continuei minha rotina.  Onibus. Terminal. Onibus. Faculdade.
Faculdade... Meu retorno após um final de semana esquizofrênico. Minha mente hiperativa relembrando flashs e mais flashs de tudo o que aconteceu desde sexta-feira. 
Com o sorriso amarelo e de cara lavada, lá vamos nós segunda!




Livre, leve e solta, continuei minha busca pelas admissões perdidas, trabalho é claro, do estágiotário.  Neste momento admito que se isso acontecesse há umas duas ou três semanas atrás eu iria respirar fundo pra não chorar de desgosto com o trabalho acumulado. Mas analisando os minímos detalhes, com a atenuante de que eu ainda estava um pouco tonta do final de semana e meus pensamentos estavam viajando na velocidade da luz, logo não me importei. Aliás, até agradeci, pois pra preencher todas as fichas, primeiro eu teria que acha-las e pra acha-las, teria que ir ao local onde os prontuários ficam, e este é um dos únicos lugares daquele hospital onde há um pouco de silêncio. Silêncio, pois minha mente já está bem barulhenta. 
Segundas de praxe, são os dias em que todos os B.O's aparecem no hospital (deve ser porque os estagiotários não aparecem de final de semana). 


Pra minha sorte, nada de demais  apareceu.
Deve ser o universo retornando minhas boas vibrações - ou então não tinha nada pra dar errado mesmo, pois tudo já deu de errado nos meus plantões passados.
E ultimamente essa história de boas vibrações tem rendido sangue pra coleta. Exatamente isso. Minhas boas vibrações tem sido exatamente como encontrar uma arteria cheia e palpavel quando se  tem 127 tubos de ensaio pra coleta de sangue e hemoderivados.
Só que minha coleta está um pouco acima do que eu preciso (eu acho?) e até tem, sobrado sangue.
Consegui cumprir meus objetivos profissionais e zerar o trabalho acumulado, de quebra ainda sair 10 minutos antes do termino do plantão. A substituta da minha supervisora parece que não me odeia mais, os pacientes me amam ♥ e aparentemente comecei a fazer novas amizades com os residentesotários (porque né).
Ponto pra estagiotária! 
Não tive o que reclamar hoje. E pra ser franca - baseada na minha teoria do Segredo - é você quem faz seu dia.  Whatever. Só sei que se as segundas-feira daqui em diante forem como a de hoje, que meu nome do meio seja segunda.



sábado, 18 de maio de 2013

Cap. IV - E lá vem o disco voador...

(O texto a seguir é um relato de experiência da
estagiotária autora. Os detalhes que não foram
embora após alguns shots de disco voador
estão presentes abaixo. Aproveite a leitura).


Quando você conta pros seus amigos que passou no vestibular daquela faculdade que tanto sonhou, espera ouvir deles coisas do tipo "Parabéns, é uma ótima escola" ou  "Que linda carreira você escolheu".  
Quando eu contei a um amigo que tinha conseguido minha tão esperada vaga, ele me disse o seguinte: "Que massa! As festas dessa faculdade são muito boas! Tem festa toda a semana".  Devo ter ficado uns 2 minutos processando a informação, com cara de reprovação, tipo: "Cara, acabei de passar num vestibular ferrado e você vem me falar que o mais legal durante a graduação é entrar em coma alcóolico?" . De qualquer forma, esse dialogo nunca saiu da minha cabeça. Vai ver porque no fundo, meu amigo tinha um pingo de razão.
Enfim, já no meu primeiro dia de aula fui abordada por algumas veteranas que informaram sobre uma festa de boas vindas, uma especie de cervejada. Não fui. A adrenalina de ESTAR na faculdade já me era o bastante. 
Com o passar do semestre, vi que quase toda a semana, como eu tinha sido alertada, tinha festa mesmo. Ou era pra comemorar o início do curso, ou meio, ou final, ou então era só pela graça de fazer festa mesmo.
Nada me interessou no primeiro ano da faculdade. No segundo, minhas tutorias tinham fechamento nas segundas e consequentemente eu era obrigada a estudar nos finais de semana, ou seja, não era questão de interesse em farrear, mas sim questão de sobrevivência. Até podia ir, mas não valia o peso de um I num módulo. Chegando ao terceiro ano, vi que a combinação festa + faculdade era uma bomba relógio, aliás qualquer movimentação brusca que não estivesse no caderno do aluno era bum na certa. Foi ai que dei graças a Deus de não ser uma party addicted
Quando finalmente cheguei ao quarto ano, me senti no direito de comemorar.
Pra isso fui, finalmente, a uma festa da faculdade.




Foi uma espécie de rito de passagem misturado com festa de debutante. Era minha entrada (e saída) no underground acadêmico. 
Fiquei cerca de 3 semanas me preparando psicológicamente. Um dia antes da festa mau consegui pregar os olhos. No dia da festa estava uma pilha de nervos: se pudesse, já saia de casa montada no glitter pra ir no estágio.
Veio a calhar que no dia dessa festa fui avaliada (como no post contei anterior), e com desempenho acima das expectativas da minha tutora, recebi a informação de que tinha vencido mais essa etapa da graduação. Então mais um motivo pra comemorar!
Muita gente vai só pela graça de beber. Como não beb(ia)o, fui pra me divertir mesmo com uma pequena (mas agradavel) parte da minha sala. 
Chegando no recinto, demos de cara um uma mesa redonda, cheia de copinhos plásticos, limão e um açúcar meio estranho (pra mim parecia farofa). Fui apresentada ao disco voador.
Senti cada órgão do meu trato gastrointestinal mas continuei firme na festa, afinal é o ultimo ano da faculdade (e eu já completei 90% do curso). 
Continuei minha saga com minha turma. 2º Pitstop: Bar. Nesse momento me senti injustiçada. O lugar que serviam refrigerante era do outro lado do salão, bem escondido e não tinha nada de sabor Cola (nem Kiko, nem Vedete, nem Xamego. NIENTE). 
Acabei por fim das contas com um copo com algo que não me lembro nas mãos. Acho que era cerveja. 
Fomos para a pista de dança. Nunca me diverti tanto! Me senti livre pra fazer daquele lugar como minha própria casa pois tinha tanta coisa pra comemorar e minha alegria era tanta que já não cabia nos meus 1,60m.



Dançamos até o final da festa. Bebi o que não tinha bebido nos 3 primeiros anos de faculdade (e na minha vida inteira). 
Assisti a High Socety descendo do salto e até usei meus conhecimentos em enfermagem pra ajudar e diagnosticar os abatidos.
Finalmente entendi o que meu amigo me disse. Mas o meu significado é diferente.
Apesar de só ter ido a uma festa minha graduação inteira (que valeu por todas as que eu perdi), entendi que as festas da minha faculdade não são as melhores a toa. São as melhores porque a gente rala pra conseguir passar no vestibular e depois rala mais ainda pra conseguir se formar. E a cada semana de prova, cada etapa vencida, cada S...tudo isso precisa ser comemorado. E DEVE SER!
Se a faculdade é o período onde nossas caracteristicas são adquiridas, que eu não perca a vontade de vibrar a cada comemoração (mesmo que tudo esteja girando e em blur).

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O Prólogo


Mais uma manhã se inicia. 6h40. Luto pra abrir os olhos e sair da cama. Em outros carnavais, neste horário já estaria do outro lado da cidade, entrando numa sala fria de tutoria. E eu devia mesmo estar do outro lado da cidade, me preparando pra pegar no batente, ou melhor, pra pegar o plantão. Penso nos pés de galinha adquiridos durante esses 4 anos e chego a conclusão que é muito cedo pra me estressar. É bem melhor já preparar meu psicológico pro que vem. 
Atrasada, em tempo recorde junto minhas tralhas, pego meu jaleco amassado, dou um trato bem meia boca no cabelo e tento esconder a falta de coragem com um pouco de blush perolado.
7h00. Saindo de casa ofegante, me esforço pra alcançar o ônibus e quem sabe eu ainda consiga fazer o trajeto casa-faculdade em 20 min. FAIL. Talvez de carro eu conseguisse, mas como boa estagiotária que sou, ando de ônibus e, venhamos e convenhamos, nessa cidade em horário de pico, nada é rápido. E falando em horário de pico, vejo 4 ônibus passarem por mim reto, como se eu fosse enfeite do ponto ou invisível.
Finalmente, um ônibus pára. Respiro fundo e tento garantir meu pedaço na lata de sardinha. Sigo assim até o terminal, onde troco 6 por meia dúzia: abandono a lata e corro pra ambulância (o ônibus que vai pra faculdade-hospital escola, carinhosamente apelidado de ambulância, vide a população que o frequenta: pacientes do HEscola, idosos, enfermos e estagiotários). Ainda em pé, continuo minha jornada.
Chego a faculdade as 7h40. Droga. O trajeto que na minha cabeça planejei realizar em 20 min., fiz em 40 min. Mais um dia atrasada. Ainda é muito cedo pra se estressar, então, cabeça erguida, vamos para o campo de batalha (mas antes, um pouco de cafeína).
Entre um cafézinho e outro, 8h00. Chego no setor como se nada tivesse acontecido. Uma cara de paisagem, um sorriso de Kate Middleton (como se eu fosse uma lady, descabelada, amassada e que anda de ônibus).
Começando a arregaçar as mangas, vou então cumprir minhas atividades de quartoanista. O que temos pra hoje? Visita na clínica e históricos a preencher. Pff. Fichinha, já que desde o começo do ano é minha rotina.
De cara, me desvio dos meus afazeres. Encontrei uma irrigação vesical obstruída. Como quase enfermeira, preparo a munição: de um lado, minha seringa (rara no setor) 60 ml e do outro meu frasco de SF 0,9% de 1000 ml. Assim, começo minha saga contra os coágulos - que na minha cabeça é algo do tipo “O império contra-ataca: a ameaça dos coagulos”.
Perdi a guerra. Minhas injeções de soro não foram páreas para le coagulo monstro. E ainda por cima sai pior do que quando entrei no quarto. Muito mais descabelada e dessa vez, acredito que nem o blush corava mais nada.
Como se não bastasse, dei de cara um um residenteotário
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Pra você, ledo leitor, residenteótario é uma raça distante dos estágiotários. Enquanto os estágiotários estão descabelados, amassados e acabados, como se tivessem saído de um episódio de The Walking Dead, os residenteotários são totalmente o contrário: Estão sempre arrumados, são lindos de morrer, esbanjam ryqueza, só que na hora de abrir a boca falta educação; Sem contar, que na cadeia alimentar do Hospital escola, eles são como os estágiotários, só que a nível de Hipócrates, nada de especial.
Voltando pra minha vivência, dei de cara um um dos residenteotários, que não esboçou palavra alguma, mas também, a cara de espanto dele ao me ver já falava mais do que o Galvão Bueno narrando a Fórmula 1. Fiquei na dúvida se a cara de espanto foi pelo meu estado ou se foi pelo escândalo que o paciente fez pela obstrução (sei que a dor do outro não se meça, mas pohan… homem é MUITO fraco!).
Sai a francesa e caminhei para o posto, onde foquei em terminar minhas atividades. Não sei se é meu desgaste ou ansiedade, só sei que não via a hora de terminar tudo (talvez porque 1) eu estava jogada as traças, pois minhas parceiras voltaram para a UBS, 2) porque eu estava cansada, já que falta 1 semana pra terminar esse estágio OU 3) o posto estava lotado de estágiotários de uma escola técnica). 
Diante ao desanimo, resolvi fazer um break. Zarpei pra UTIPed. Contactuei um pouco e voltei (apesar de acolhedor, não posso ficar em setores com crianças mimimi. Essa é minha kryptonita). 
Finalizei meu expediente e parti pra 2ª parte (porque 12hs é fichinha).
O que seria da vida dos estágiotários sem outros estágiotários pra partilhar as depressões? =D Por isso me encontrei com mais duas pra almoçar! E então pude me livar um pouco do peso das minhas olheiras  .
Entre constatações de fatos, planos mirabolantes, espiadas compridas na mesa ao lado e muita coca-cola, chegamos as 13h.
13h… Correndo pro 2º plantão. Mais light, of course, já que era atividade extracurricular, mas nem por isso menos importante.
Após decidir com minha dupla sobre qual cirurgia assistir, optamos por uma de varizes (pois meu DNA grita, e como eu vou ter que fazer uma safenectomia daqui a alguns anos, melhor já me inteirar sobre como vai ser feito). 
Adentrando a sala, dou de cara com le residenteotário (sim! o mesmo que eu encontrei descabelada logo de manhã). Nessa altura do campeonato, nem me sinto no direito de querer enfiar minha cabeça debaixo da terra (e também, de privativo, com todos os EPIs possíveis e imagináveis, nem precisava de esforço pra sumir).
Permaneci eu, firme e forte, durante 3 hrs assistindo a cirurgia, ao lado do R.Otário, que provavelvente nem me reconheceu e muito menos vai lembrar que eu existo amanhã.
Jardinagem a parte, deixando os vasos de lado, no termino do procedimento, eu e minha dupla aguardamos a uma cirurgia ortopédica.
Como gosto de CC, dificilmente me impressiono com o que vejo. Hoje, me impressionei. Nunca tinha visto tão de perto a colocação de um fixador. Tenho que admitir que tive alguns calafrios e ideias de assassinato em massa.
Tudo era como uma mistura de Jogos Mortais com 50 Tons de Cinza (se isso é humanamente possível).
Ideias esdrúxulas a parte, terminei mais um plantão.
E lá se vai a estágiotária, feliz da vida porque apesar de tudo, aprendeu muito. 
E daqui a pouco, um novo dia vem e tudo começa de novo.