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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Cap. XIII - Depois de muito, muito tempo...

Depois de 161 dias longe da blogsfera, lá vamos nós NOVAMENTE. 
Pra isso, é claro, precisamos fazer um resumão de tudo o que aconteceu, pra então chegarmos nos finalmentes.

Em 161 dias, fui promovida de estagiotária abandonada da SPOT pra estagiotária - R1 do centro cirúrgico.  VALEU UNIVERSO!



Assisti a minha primeira cirurgia de captação de órgãos/parada cardiorespiratória. Também descobri que eu brilho de privativo e EPIs (mesmo que o privativo esteja surrado, desbotado, quase rasgando...) E de branco off-white profissional!

Descobri o que é amor! AMO o ambiente hospitalar. AMO o prédio caindo aos pedaços, AMO os pacientes, AMO a equipe multi, AMO barraco, confusão e gritaria!
Confirmei que Florence está está rondando minha vida MAS antes da lâmpada ter minhas impressões digitais já tenho um (uns) plano (s) infalível (is).
Daí, descobri que meus palnos infaliveis estão no modo asiático. 








Fui jogada ao vento parar na UBZzZzZzZZzZS.
Quase morri pra entregar os relatórios finais de Iniciação Científica.
Descobri que topeiras são uma raça em expansão, principalmente em ambiente acadêmico, e também que mais capiróticos que meus professores, só os professores das federais/estaduais. 

Fui e voltei pra Londrina e já joguei pro universo que volto, agora pra ficar.
Passei de escraviotária pra estagiotária assalariada. Durou um mês.
Fui apresentar meu trabalho em SP. Acabou a energia.
Fui pra festa mais bate a nave aguardada da faculdade. AE!

Consegui entregar meu TCC ~ALEGRIIIIIIIIA~
E agora faltam 12 dias de estágio e pouco mais de um mês pra formatura.

Após a retrospectiva rápida, vamos nós.
Como eu disse, faltam 45 dias para minha formatura. 4 anos >>>>> 45 dias!


terça-feira, 16 de julho de 2013

Cap. XI - Férias?!




Ilusão: Engano dos sentidos ou do espírito que faz tomar a aparência pela realidade: a miragem é uma ilusão da vista. Interpretação errônea de um fato. (Dicionário Informal)

Em minha concepção, o sinônimo de ilusão significa Férias. Humpf. Férias: Interpretação errônea de um fato. Concordo em gênero, número e grau, sem pestanejar.
Tecnicamente meu período de descanso começou em 01/07. Durante os seis primeiros semestres da faculdade acreditei que as férias eram algo divino, algo que vinha ao meu encontro para me libertar do estresse das tutorias inacabáveis. E como eu fui feliz nesses primeiros semestres! Dias repletos de gordura trans, cultura pop e video games. Sem contar, é claro, com as horas repostas de sono! Ah, não existe nada melhor do que dormir até cicatrizar o olho!
Aparentemente, julho/2013 deveria seguir o mesmo molde dos anos anteriores, já que serão as ultimas férias da graduação. Só que não.
Há 5 meses de tomar decisões que podem/vão mudar todo o curso da minha vida, como posso ficar em casa, me preocupando com o tempo que vou levar pra terminar todas as fases do Amateur Surgeon
Sendo assim, tomei uma decisão: não vou entrar em ritmo de férias. Primeiro, porque tenho que estudar - e muito - pra concluir alguns objetivos pessoais; Segundo, porque pra conseguir o primeiro, não posso descuidar e perder o ritmo. Ainda mais sabendo que vou pra uma UBZzzZzZzzzZS no segundo semestre (que já eleva minhas chances em uns 80% de não abrir um Brunner).
Pra que meu plano fosse possível, entrei em contato com minha supervisora de estágio eletivo , para aceitar o convite de passar uma temporada extra no Centro Cirúrgico do HE - coisa que fiz sem pestanejar, pois se ela não tivesse me convidado, eu tinha me oferecido (acredito que não registrei no blog, mas o pensamento positivo deu certo, acabei indo para o Centro Cirúrgico do mesmo Hospital Escola em que estava e lá fui completamente feliz durante 5 semanas intensas entre FAFs, FABs, Craniotomias e uma imensa quantidade de Bypass (fiquei em dúvida sobre o plural de Bypass...seria Bypasses? Enfim...) - sem contar nos interesses políticos-pessoais por trás desta temporada, que é obvio, não cabe a mim abrir as estratégias no blog).
Na minha humilde perspectiva de estagiotária, continuar as atividades do estágio voluntário me obrigariam a manter meu relógio biológico tinindo, me fazendo despertar as 6h ao invés de 12h - como é de praxe acontecer durante as férias - o que me leva a aproveitar melhor meu dia, tendo tempo pra estudar a tarde, e se precisar ainda consigo ir a biblioteca da faculdade e aproveitar a imensidão de livros que estão disponíveis (já que os outros estudantes estão de "férias"), além é claro, de aumentar minha rede de network.
Logo na primeira semana em que ia colocar meu plano maestral em prática, fui surpreendida com TCC-ARGH! Mais atrasado que noiva em dia de casamento, é verdade, não nego. Tirei a semana pra resolver isso, e é claro, ainda não terminei o que me dispus a fazer, mas de qualquer forma, isso é um capitulo a parte, pra outras postagens.
Na segunda semana, feriado aqui em SP. Admito que aproveitei os 4 dias em Londrina, me permiti curtir um pouco, mas é claro, com o Expert debaixo do braço e com um lápis nº2 pra responder as questões polêmicas. Ótimo exercicío pras 6hrs que passei dentro do carro pra chegar em Londrina e voltar pra Sorocaba.
Chegando de viagem, tive a comprovação da minha teoria. Férias são uma ilusão. Ilusão pra nós, pobres acadêmicos. Recebi um e-mail quilométrico sobre meu projeto de pesquisa. Resumindo, o que não fiz em meses, tive que fazer em  UM dia. Mais uma semana e meu plano de boicotar as ferias foi boicotado porque eu não tive tempo pra pensar em férias. 
Mas firme, forte e decidida, hoje acordei cedo, criei coragem e fui pro CC.

Foi um pouco difícil retomar o ritual matinal, mas consegui. A sensação de poder chegar um pouco mais tarde no setor sem punições é LIBERTADORA. Por isso, cheguei quase 30 min. mais tarde do que costumava.
Passei uma manhã feliz. Ah! Como aquele setor frio me faz feliz! - e nem precisei de café hoje. Pra ser sincera, fiz questão de desviar das máquinas de cafeína. Já estou mais ansiosa do que sou. E sou muito ansiosa, praticamente uma variação de TDAH não descoberto.
Segundo a sabedoria japonesa, baseado na minha tipagem sanguínea, sou uma bola de nervos, apesar da aparência calma, sou perfeccionista e sempre estabeleço altos padrões a serem alcançados. E ainda tem mais. Os ancestrais da terra do sol nascente ainda tem uma outra classificação pra minha tipagem sanguínea, que é a A+: São os indivíduos sensíveis (onde?), inteligentes e espertos que gostam AMAM do estilo de vida urbano e intenso. Ficam refreando a ansiedade o tempo todo, mas quando explodem, provavelmente algo de ruim já se instalou dentro deles. Precisam de exercícios calmantes e relaxantes, pois quando o stress se instala eles ficam paranóicos e depressivos (WTF?) e tudo caminha pro terreno pessoal, fazendo que eles extrapolem as suas funções.
Como meu fator é +, será que todas as emoções são elevadas? Bem não quero descobrir. Sou bem cética pra essas coisas, mas tenho que concordar com os orientais que eu não sou a pessoa mais controlada do universo e os últimos meses tenho aumentando minha taxa de cortisol. Amo café, amo o aroma, gosto e sua capacidade de me deixar no 220, mas vou tentar limpar as taxas de cafeina do meu sistema, pois senão vou ter um curto circuito.
A transição de Zoey pra Nurse Jackie é dura. Posso até estar sendo precipitada em abolir essas férias de julho, pois são as últimas. Mas, acredito que aproveitar meu tempo agora, sendo rata de hospital é a melhor forma de aproveitar minhas férias. Pode até ser cansativo mais pra frente, mas minha consciência vai estar limpa e livre de arrependimentos, afinal, conhecimento nunca é demais. E também, quem sabe isso não me abre um leque de oportunidades? Até eu descobrir isso, vou continuar evitando cafeína, porque né... vai que os kamikazes acertaram?!



segunda-feira, 27 de maio de 2013

Cap IX - Bom Diaaaa!

Bom diiiia! Mais booom diiiia mesmooo pra você que levantou cedo nesse dia cinzento e frio.
Bom diiiiaa pra você que encheu a cara de pó e blush perolado e subiu no salto 3 cm ao inves de ir de tênis branco, pois está na luta pra quebrar a maldição de Florence e de olho naquele Mc Dreammy.
Bom diiiia pra você que entrou numa lata de sardinha que a prefeitura insiste em chamar de ônibus e correu risco de pegar uma H1N1, tuberculose, meningite...
E pra você que engoliu um café tão quente que te fez lembrar de cada órgão do seu sistema digestório, bom diiia mesmo! (pro seu esofago também mandamos lembrança!)
Bom diiiia se você passou por meio de um street fighter de mendigos em abistinência de corotinho (ou seria alcool 70%?), coisa rara de se ver. 
Acordou disposto (a) hoje? Então bom diiiia pra você preferiu ir de escada pro setor onde ia começar seu estágio e antecipar sua atividade pro dia do desafio, que é só quarta-feira! (SQN)
Bom dia se você descobriu que sua nova supervisora de estágio não foi semana passada, nem hoje e nem virá durante um bom tempo porque diferente de você ela está em férias no Caribe ou algo do tipo. 
Depois da descoberta que só você não tem férias, booom diiiia, pois sei que teve que voltar na chuva pra faculdade, acabando com as horas interminaveis de chapinha, te tornando um cover mal feito da Elba Ramalho antes de encontrar o formol.
Bom diia se pelo menos, você fez a via crucis sem encontrar nada de interessante no meio do caminho (pelo menos isso!).
É. Booom diiiia mesmooo!


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Cap. VIII - Não basta ser estagiário... tem que ser otário

Estágiotário é um bicho otário mesmo. Acorda cedo mais cedo que o normal no primeiro dia de estágio pra causar uma boa primeira impressão no setor, corre atrás de ônibus e se aperta na lata de sardinha pra chegar no horário, descobre toda a anatomia do trato digestório logo de manhã pois engoliu um café expresso mais quente do que água ardente e ainda por cima chega com o coração na mão e os pulmões quase na garganta. E Pra quê?
Meu segundo dia de Estágio Eletivo e... não conheci minha chefe. De novo. 
Consequência: Como já estava sem eira nem beira (já tinha acordado cedo nesse frio, passado por ônibus lotado e estava com problemas de ansiedade), resolvi tomar um ar no PS , meu antigo setor pra ver como estava a rotina sem minha pessoa. FAIL.  Acabei ficando por lá e retomando minha rotina de fichas e mais fichas pra se preencher, sem contar nos indicadores. 
Virei - sem sombras de dúvida - a melhor pessoa do mundo pra sub (que me odiava) da minha ex supervisora. 


Quem inventou a máxima "alegria de pobre dura pouco" não conhecia um estágiario. Pra estas criaturas a alegria de não ter que preencher um indicador não dura nada. 
E se existe alguma dúvida que estágiario é o bicho mais otário por metro quadrado do planeta, tome meu exemplo.
Como nem tudo é o que parece, o jeito é aguardar. Aguardar porque se eu seguir mais essa pérola do ditado popular, é bem capaz que eu pare na guerra da Crimeia.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Cap. VI - Grand Finale

Após 4 meses de incessante trabalho, picos de adrenalina e casos extraordinários, consegui finalizar meu estágio curricular em ambiente hospitalar.
Como estágiotária sobrevivente a um PS de blaster complexidade, prestes a se formar, devo admitir que hoje meu coração apertou um pouco.
Apesar dos trancos e barrancos, altos e baixos, picos de adrenalina e picos de ACH, posso dizer que vou sentir falta dos casos esdrúxulos, das montanhas de papel e até das UFC modalidade hospital.
Como tentativa de demonstrar um pouco de gratidão, LET'S GET THE PARTY STARTED!



Ala Zoey Barkow, organizei uma "festchinha" pros funcionários e afins, já que estes foram essenciais pra minha formação (além do mais, eles mereciam pois, aguentar um estagiotário mais perdido do que cego em tiroteio necessesita de MUITA paciência).
Achava que não, mas a verdade é que minha sistole foi um pouco mais demorada nessa despedida e fato é que se pudesse ficaria eternamente lá.
Como não dá, tentei aproveitar meu ultimo dia ao máximo, começando por deixar de lado a roupa branca \o/.
Coloquei uma roupa apresentavel (com nada branco ou que lembrasse banco), peguei a massa corrida que chamam de maquiagem e até tive animo pra arrumar a juba.


Bem, sou da teoria de que no primeiro dia de qualquer coisa você deve estar bem arrumado pra causar boa impressão... e no último também, pra tirar a impressão de que você é só mais um ponto branco no hospital. 
Despedidas são recomeços.  Por isso nada mais justo que se despedir em grande estilo.
Dessa parte do meu dia, tenho que compartilhar uma depressão/realização (quem sabe dica pra acabar com a maldição da Florence?): Fora do branco profissional, as pessoas ficavam me encarando. Não foi uma ou duas vezes. Foram várias. Tanto é que até elogio da supervisora eu ganhei (f-u-j-a-m pras colinas!). Ganhei alguns "bom dia" super atenciosos e até tive o prazer de jogar o cabelo de lado, levantar o nariz e caminhar livre, leve e solta pelos corredores.
Glitter e purpurina a parte, continuei o que me propus a fazer: a festa.
O prazer de entrar no posto e saber que você não tem obrigação de preencher indicador nenhum, não tem preço.
O prazer de entrar no posto e saber que você, estagiotário, é o Top Trending do dia, então nem se fala.
Depois de algum tempo conversando com os funcionários, recebendo os estagiotários amigos e fazer uma sala de prescrição inteira parar (porque estágiotário quando quer, é puro poder), dei adeus ao primeiro andar.


Adeus não. Até logo pois pretendo trabalhar neste Hospital Escola e, se trabalhar, pretendo voltar pro lugar em que comecei minha vida de enfermeira.
E assim, com um pouco mais de experiência e um óculos quebrado (não pergunte como), sigo em frente, pois daqui a 7 meses o boleto do COREN chega em casa!


sábado, 18 de maio de 2013

Cap. IV - E lá vem o disco voador...

(O texto a seguir é um relato de experiência da
estagiotária autora. Os detalhes que não foram
embora após alguns shots de disco voador
estão presentes abaixo. Aproveite a leitura).


Quando você conta pros seus amigos que passou no vestibular daquela faculdade que tanto sonhou, espera ouvir deles coisas do tipo "Parabéns, é uma ótima escola" ou  "Que linda carreira você escolheu".  
Quando eu contei a um amigo que tinha conseguido minha tão esperada vaga, ele me disse o seguinte: "Que massa! As festas dessa faculdade são muito boas! Tem festa toda a semana".  Devo ter ficado uns 2 minutos processando a informação, com cara de reprovação, tipo: "Cara, acabei de passar num vestibular ferrado e você vem me falar que o mais legal durante a graduação é entrar em coma alcóolico?" . De qualquer forma, esse dialogo nunca saiu da minha cabeça. Vai ver porque no fundo, meu amigo tinha um pingo de razão.
Enfim, já no meu primeiro dia de aula fui abordada por algumas veteranas que informaram sobre uma festa de boas vindas, uma especie de cervejada. Não fui. A adrenalina de ESTAR na faculdade já me era o bastante. 
Com o passar do semestre, vi que quase toda a semana, como eu tinha sido alertada, tinha festa mesmo. Ou era pra comemorar o início do curso, ou meio, ou final, ou então era só pela graça de fazer festa mesmo.
Nada me interessou no primeiro ano da faculdade. No segundo, minhas tutorias tinham fechamento nas segundas e consequentemente eu era obrigada a estudar nos finais de semana, ou seja, não era questão de interesse em farrear, mas sim questão de sobrevivência. Até podia ir, mas não valia o peso de um I num módulo. Chegando ao terceiro ano, vi que a combinação festa + faculdade era uma bomba relógio, aliás qualquer movimentação brusca que não estivesse no caderno do aluno era bum na certa. Foi ai que dei graças a Deus de não ser uma party addicted
Quando finalmente cheguei ao quarto ano, me senti no direito de comemorar.
Pra isso fui, finalmente, a uma festa da faculdade.




Foi uma espécie de rito de passagem misturado com festa de debutante. Era minha entrada (e saída) no underground acadêmico. 
Fiquei cerca de 3 semanas me preparando psicológicamente. Um dia antes da festa mau consegui pregar os olhos. No dia da festa estava uma pilha de nervos: se pudesse, já saia de casa montada no glitter pra ir no estágio.
Veio a calhar que no dia dessa festa fui avaliada (como no post contei anterior), e com desempenho acima das expectativas da minha tutora, recebi a informação de que tinha vencido mais essa etapa da graduação. Então mais um motivo pra comemorar!
Muita gente vai só pela graça de beber. Como não beb(ia)o, fui pra me divertir mesmo com uma pequena (mas agradavel) parte da minha sala. 
Chegando no recinto, demos de cara um uma mesa redonda, cheia de copinhos plásticos, limão e um açúcar meio estranho (pra mim parecia farofa). Fui apresentada ao disco voador.
Senti cada órgão do meu trato gastrointestinal mas continuei firme na festa, afinal é o ultimo ano da faculdade (e eu já completei 90% do curso). 
Continuei minha saga com minha turma. 2º Pitstop: Bar. Nesse momento me senti injustiçada. O lugar que serviam refrigerante era do outro lado do salão, bem escondido e não tinha nada de sabor Cola (nem Kiko, nem Vedete, nem Xamego. NIENTE). 
Acabei por fim das contas com um copo com algo que não me lembro nas mãos. Acho que era cerveja. 
Fomos para a pista de dança. Nunca me diverti tanto! Me senti livre pra fazer daquele lugar como minha própria casa pois tinha tanta coisa pra comemorar e minha alegria era tanta que já não cabia nos meus 1,60m.



Dançamos até o final da festa. Bebi o que não tinha bebido nos 3 primeiros anos de faculdade (e na minha vida inteira). 
Assisti a High Socety descendo do salto e até usei meus conhecimentos em enfermagem pra ajudar e diagnosticar os abatidos.
Finalmente entendi o que meu amigo me disse. Mas o meu significado é diferente.
Apesar de só ter ido a uma festa minha graduação inteira (que valeu por todas as que eu perdi), entendi que as festas da minha faculdade não são as melhores a toa. São as melhores porque a gente rala pra conseguir passar no vestibular e depois rala mais ainda pra conseguir se formar. E a cada semana de prova, cada etapa vencida, cada S...tudo isso precisa ser comemorado. E DEVE SER!
Se a faculdade é o período onde nossas caracteristicas são adquiridas, que eu não perca a vontade de vibrar a cada comemoração (mesmo que tudo esteja girando e em blur).

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Cap. III - Ces't la vie!

Finalmente, sexta-feira! A alegria de todo o estagiotário (depois dos feriados, é claro).



Tenho a impressão que só de bater o olho no calendário e se deparar com sexta-feira, o estágiotário já vai ao delírio. Seriously. 


Esta semana minha sexta-feira começou um tanto quanto diferente. Após quase uma semana sobrevivendo como o pica-pau esverdeado (super depressivo), vagando pelos corredores do Hospital Escola, contando o dias pro final do estágio supervisonado e ainda por cima aguardando pela avaliação final,  resolvi mudar minha postura. 
Acordei pensando que o dia ia ser maravilhoso e que eu ia brilhar mais do que a Beyoncé no Maddison Square Garden (SÓ QUE NUNCA! haha). 
Isso necessitava uma postura diferente. Então le estagiotária tentou fazer a diferença. 
No ônibus, fui gentil com uma senhora abrindo espaço para que ela pudesse se sentar ao invés de reclamar das injustiças cometidas pelos meliantes mau educados da etec do lado da faculdade. 
Já na faculdade, distribui vários "bom dia". Se eu quero que o meu dia seja bom, porque não desejar isso pros meus amigos também? E nessa minha teoria continuei firme.
Chegando no posto, ao descobrir que a substituta da minha supervisora (que me odeia) iria comandar tudo, respirei fundo e tentei ser simpática. Deu muito certo. Tão certo que consegui realizar todas as minhas atividades e até sair mais cedo.
E coisa boa atrai coisa boa. Há aproximadamente 1 mês, sofri da maldição da práxis: como bom PS, meu setor sempre tem 8916382 procedimentos para se fazer. Na semana em que eu seria avaliada, não apareceu nenhum. E foi assim até fazer minha práxis com exame físico. Tive que engolir a Alba e cuspir a Bates, mas deu certo. Depois disso, apareceram novamente todos os procedimentos possíveis e imagináveis do universo. 
Faltando apenas 3 dias para o final do estágio (e com medo que não aparecesse nada e eu não cumprisse minha avaliação, consequentemente, não entregasse meu estágio) HOJE, SEXTA-FEIRA consegui um procedimento, e fui avaliada. SATISFATÓRIO e acima das expectativas. Meu Deus, que alívio! Me senti como diabético preso numa loja de doces de tanta felicidade. Será que tem por onde melhorar?
SIM. Encontrei minha fraternidade. E como se não bastasse, ainda tive surpresas (otárias ao quadrado mais) muito boas hoje.
Vendo por este lado, acredito que o pensamento positivo melhorou 90% do meu dia.  
Percebi que na enfermagem muitas (boas) ações são ofuscadas pelo mau humor e pela rabugice. Já ouvi vários pacientes e acompanhantes reclamarem de funcionários que desempenham suas funções perfeitamente, fazem procedimentos super complexos mas não são capazes de dar um sorriso ou um "bom dia". Ou pior, também não faz questão nenhuma de manter um clima bom com os outros funcionários (sejam eles da classe profissional que for).
E aí eu me pergunto, adianta de alguma coisa? Claro que NÃO!
Sei que nem sempre estamos de bom humor, mas o pensamento positivo é LIBERTADOR.
Quando estamos de bem conosco, fazemos os outros bem e as coisas cooperam para o nosso bem. 
Que tal ser fazer o teste e ser otimista por um dia?


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Cap. II - E como doí!



Tem dias que ao encostar a ponta distal do hálux no chão a gente já percebe que não é nosso dia. Então, você abre o portão pra sair de casa, se direciona até o ponto de ônibus e tem a confirmação de que não é seu dia: Acabaram-se os vale-transporte. Mesmo com os sinais, você não dessiste, afinal de contas, faltam apenas 4 dias pro seu estágio supervisonado terminar e também porque você já está com a corda no pescoço por conta de tanta falta. Chegando no setor, você é surpreendido novamente e descobre que seguirá vôo solo hoje, em outras palavras, você se ferrou e tem que evoluir a clínica sozinho pois sua dupla está de atestado (nada contra duplas e atestados, que fique BEM claro). 
Você, estagiotário, amigo de fé e irmão camarada separa seu material de estágio, abre todos os SAEs do setor, passa visita em todos os quartos, preenche com toda atenção do mundo os indicadores, realiza entrevista e exame físico seguindo todos os pormenores da Alba e ainda por cima vai abraçando o que aparecer: sondagem, gasometria, curativo, irrigação contínua, dreno de tórax... resumindo, você é tipo uma enfermeira "Amélia".
Depois de ter salvo o mundo, você como estagiotário que presta atenção nas tutorias/aulas de ética profissional, se dirige ao posto e começa a psicografar tudo o que fez.
E você escreve, escreve, escreve... larga tudo porque o telefone da clínica toca... volta e escreve, escreve... vai no quarto Y porque o soro da irrigação do paciente X parou... volta e escreve mais um pouco... dai você se dá conta que esqueceu uma informação impoirtante e tem que procurar o prontuário do paciente pra continuar com suas anotações... depois de anos luz, você retorna ao seu lugar de origem, senta e contra o tempo termina suas anotações/evoluções.


Feliz da vida, você entrega ao seu tutor/professor/supervisor um resumo de suas atividades e está dispensado. SÓ QUE NÃO, OTÁRIO!
Das 13 evoluções, você esqueceu de especificar o local de inserção do acesso venoso do paciente em uma delas e na outra confundiu o urepen com SVD pois o hospital está usando o mesmo coletor de urina pra ambos os dispositivos. 
Correção? Pff... você leva uma cajadada e de brinde um sermão da montanha traduzido em aramaico e grego. Pra completar, o paciente que você fez o favor de inverter o tico com o teco está sob os cuidados daquele técnico mau amado que parece que tem prazer em encrencar com estágiotário e falar mau da propria categoria que é a enfermagem.

Eu sei, é a morte. E pra enfrentar esse período nebuloso de luto e voltar pro setor no dia seguinte sambando no recalque alheio com salto agulha 15, existe o Modelo de Kübler-Ross pra dar um "empurrãozinho" e passar por mais este vexame. 

1. Negação/Isolamento: Meu querido estagiotário(a), neste momento você vai negar mais do que qualquer coisa neste mundo que você esqueceu aquela vírgula ou então vai ficar mudo, sentado no canto mais escuro do posto, martelando aquela máxima "Isso não pode estar acontecendo, não comigo... Não faltando 5 minutos pra eu ir pra casa"



2. Raiva: Depois do isolamento causado pela negação, vem a raiva. Você vai sentir até sua 3ª bulha cardíaca e uma leve elevação das ondas QRS. "Não é justo, mimimi!". Neste momento, reclame o que quiser (mentalmente, porque você ainda é um estagiotário, portanto, um desempregado), desde que fique distante de objetos pontiagudos.


3. Negociação e dialogo: (ALERTA: VOCÊ AINDA NÃO SUPEROU O ESTÁGIO 2, NÃO TENTE FAZER ISSO CRIANÇA) Provavelmente, você vai tentar convencer seu superior de que você está certo. ERRADO. Em 98% das vezes em que um estagiotário leva um puxão de orelha é porque mereceu. Lembra dos colegas chatos que se acham os herdeiros do Guyton e gostavam de discutir resultados com os professores porque se achavam injustiçados? Bem, você vai se portar como um deles se tentar negociar algo que não tem fundamento. Cuidado!



4. Depressão: Provavelmente sua negociação não funcionou. Então você começa a pensar que tudo ruim só acontece com você, devaneia sobre como seria sua vida se tivesse escolhido engenharia ou algo do tipo. Até que você se lembrar que num passado não tão distante você passou por coisas piores. Tipo, MUITO PIORES. Semanas de provas, noites mau dormidas, portfolios insatisfatórios... E isso te remete a um futuro não tão distante também: Aonde estarei daqui a 7 meses? Diante desses fatos depressivos, você acaba se tocando que passou por coisas que também pareciam a morte e ainda vai ter que enfrentar problemas muito maiores do que este, e assim segue para o último estágio...


5. Aceitação:  Este é o momento em que você deixa de lado o mimimi e, como adulto, aceita que errou e que merecia a cajadada (por maior que seja a dor). Converse com seu tutor/professor/supervisor e tente entender seu erro pra que não aconteça de novo. Errar pode ser coisa de estagiário mas consertar os seus erros te faz um enfermeiro, ok?


Pronto! Agora que você já superou a dor da evolução/anotação riscada, levante a cabeça, respire fundo e tenha em mente que amanhã é um novo dia e o ciclo se reinicia. Seu setor te aguarda, estagiotário!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O Prólogo


Mais uma manhã se inicia. 6h40. Luto pra abrir os olhos e sair da cama. Em outros carnavais, neste horário já estaria do outro lado da cidade, entrando numa sala fria de tutoria. E eu devia mesmo estar do outro lado da cidade, me preparando pra pegar no batente, ou melhor, pra pegar o plantão. Penso nos pés de galinha adquiridos durante esses 4 anos e chego a conclusão que é muito cedo pra me estressar. É bem melhor já preparar meu psicológico pro que vem. 
Atrasada, em tempo recorde junto minhas tralhas, pego meu jaleco amassado, dou um trato bem meia boca no cabelo e tento esconder a falta de coragem com um pouco de blush perolado.
7h00. Saindo de casa ofegante, me esforço pra alcançar o ônibus e quem sabe eu ainda consiga fazer o trajeto casa-faculdade em 20 min. FAIL. Talvez de carro eu conseguisse, mas como boa estagiotária que sou, ando de ônibus e, venhamos e convenhamos, nessa cidade em horário de pico, nada é rápido. E falando em horário de pico, vejo 4 ônibus passarem por mim reto, como se eu fosse enfeite do ponto ou invisível.
Finalmente, um ônibus pára. Respiro fundo e tento garantir meu pedaço na lata de sardinha. Sigo assim até o terminal, onde troco 6 por meia dúzia: abandono a lata e corro pra ambulância (o ônibus que vai pra faculdade-hospital escola, carinhosamente apelidado de ambulância, vide a população que o frequenta: pacientes do HEscola, idosos, enfermos e estagiotários). Ainda em pé, continuo minha jornada.
Chego a faculdade as 7h40. Droga. O trajeto que na minha cabeça planejei realizar em 20 min., fiz em 40 min. Mais um dia atrasada. Ainda é muito cedo pra se estressar, então, cabeça erguida, vamos para o campo de batalha (mas antes, um pouco de cafeína).
Entre um cafézinho e outro, 8h00. Chego no setor como se nada tivesse acontecido. Uma cara de paisagem, um sorriso de Kate Middleton (como se eu fosse uma lady, descabelada, amassada e que anda de ônibus).
Começando a arregaçar as mangas, vou então cumprir minhas atividades de quartoanista. O que temos pra hoje? Visita na clínica e históricos a preencher. Pff. Fichinha, já que desde o começo do ano é minha rotina.
De cara, me desvio dos meus afazeres. Encontrei uma irrigação vesical obstruída. Como quase enfermeira, preparo a munição: de um lado, minha seringa (rara no setor) 60 ml e do outro meu frasco de SF 0,9% de 1000 ml. Assim, começo minha saga contra os coágulos - que na minha cabeça é algo do tipo “O império contra-ataca: a ameaça dos coagulos”.
Perdi a guerra. Minhas injeções de soro não foram páreas para le coagulo monstro. E ainda por cima sai pior do que quando entrei no quarto. Muito mais descabelada e dessa vez, acredito que nem o blush corava mais nada.
Como se não bastasse, dei de cara um um residenteotário
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Pra você, ledo leitor, residenteótario é uma raça distante dos estágiotários. Enquanto os estágiotários estão descabelados, amassados e acabados, como se tivessem saído de um episódio de The Walking Dead, os residenteotários são totalmente o contrário: Estão sempre arrumados, são lindos de morrer, esbanjam ryqueza, só que na hora de abrir a boca falta educação; Sem contar, que na cadeia alimentar do Hospital escola, eles são como os estágiotários, só que a nível de Hipócrates, nada de especial.
Voltando pra minha vivência, dei de cara um um dos residenteotários, que não esboçou palavra alguma, mas também, a cara de espanto dele ao me ver já falava mais do que o Galvão Bueno narrando a Fórmula 1. Fiquei na dúvida se a cara de espanto foi pelo meu estado ou se foi pelo escândalo que o paciente fez pela obstrução (sei que a dor do outro não se meça, mas pohan… homem é MUITO fraco!).
Sai a francesa e caminhei para o posto, onde foquei em terminar minhas atividades. Não sei se é meu desgaste ou ansiedade, só sei que não via a hora de terminar tudo (talvez porque 1) eu estava jogada as traças, pois minhas parceiras voltaram para a UBS, 2) porque eu estava cansada, já que falta 1 semana pra terminar esse estágio OU 3) o posto estava lotado de estágiotários de uma escola técnica). 
Diante ao desanimo, resolvi fazer um break. Zarpei pra UTIPed. Contactuei um pouco e voltei (apesar de acolhedor, não posso ficar em setores com crianças mimimi. Essa é minha kryptonita). 
Finalizei meu expediente e parti pra 2ª parte (porque 12hs é fichinha).
O que seria da vida dos estágiotários sem outros estágiotários pra partilhar as depressões? =D Por isso me encontrei com mais duas pra almoçar! E então pude me livar um pouco do peso das minhas olheiras  .
Entre constatações de fatos, planos mirabolantes, espiadas compridas na mesa ao lado e muita coca-cola, chegamos as 13h.
13h… Correndo pro 2º plantão. Mais light, of course, já que era atividade extracurricular, mas nem por isso menos importante.
Após decidir com minha dupla sobre qual cirurgia assistir, optamos por uma de varizes (pois meu DNA grita, e como eu vou ter que fazer uma safenectomia daqui a alguns anos, melhor já me inteirar sobre como vai ser feito). 
Adentrando a sala, dou de cara com le residenteotário (sim! o mesmo que eu encontrei descabelada logo de manhã). Nessa altura do campeonato, nem me sinto no direito de querer enfiar minha cabeça debaixo da terra (e também, de privativo, com todos os EPIs possíveis e imagináveis, nem precisava de esforço pra sumir).
Permaneci eu, firme e forte, durante 3 hrs assistindo a cirurgia, ao lado do R.Otário, que provavelvente nem me reconheceu e muito menos vai lembrar que eu existo amanhã.
Jardinagem a parte, deixando os vasos de lado, no termino do procedimento, eu e minha dupla aguardamos a uma cirurgia ortopédica.
Como gosto de CC, dificilmente me impressiono com o que vejo. Hoje, me impressionei. Nunca tinha visto tão de perto a colocação de um fixador. Tenho que admitir que tive alguns calafrios e ideias de assassinato em massa.
Tudo era como uma mistura de Jogos Mortais com 50 Tons de Cinza (se isso é humanamente possível).
Ideias esdrúxulas a parte, terminei mais um plantão.
E lá se vai a estágiotária, feliz da vida porque apesar de tudo, aprendeu muito. 
E daqui a pouco, um novo dia vem e tudo começa de novo.